Kristin: Pombal quer transformar crise em oportunidade de modernização
Escrito por 97fm Rádio Clube de Pombal em 2026-02-24
A resposta aos estragos provocados pela passagem da tempestade Kristin vai transformar-se num plano estruturado de médio e longo prazo no concelho de Pombal. A Câmara Municipal quer aproveitar a experiência recente para corrigir fragilidades, reforçar a capacidade de reacção e preparar o território para novos episódios extremos.
A estratégia foi apresentada pelo presidente Pedro Pimpão, na reunião do executivo realizada a 23 de Fevereiro. O autarca explicou que a intenção é analisar o que sucedeu, avaliar a eficácia das medidas adoptadas e criar mecanismos que permitam uma resposta mais robusta no futuro. “Temos de perceber o que aconteceu e como respondemos, para estarmos melhor preparados perante fenómenos semelhantes, cuja probabilidade já percebemos que é elevada”, afirmou.
O programa, assumido como um documento orientador e em evolução, organiza-se em três pilares: recuperação (“Pombal Avalia”), resiliência (“Pombal Protege”) e transformação (“Pombal Renasce”). No primeiro eixo, será elaborado até Abril um relatório com propostas de melhoria e avançará um conjunto de isenções de taxas urbanísticas destinadas a obras urgentes relacionadas com os danos causados pela intempérie.
No apoio directo à população, a autarquia vai aplicar uma redução de 60% na factura da água durante o período de calamidade. Mantém-se igualmente activa a linha de apoio psicológico e as equipas técnicas destacadas em todas as freguesias para auxiliar na submissão de candidaturas aos apoios nacionais destinados à habitação própria e permanente. Continua também em funcionamento um centro de apoio logístico com bens alimentares, roupa e materiais de construção.
Ao nível da protecção civil, está prevista a criação de unidades locais em todas as freguesias e de centros comunitários de crise ou emergência, pensados como pontos de apoio de proximidade em situações de falha de energia, água ou comunicações. O plano inclui ainda acções de formação e a realização de simulacros regulares junto da população, empresas e escolas.
A vertente de transformação passa pela reconstrução com uma lógica de modernização das infra-estruturas, incluindo a rede viária e os edifícios públicos. A intervenção na ExpoCentro será reavaliada, admitindo-se uma reformulação do espaço e das suas valências.
No campo económico, o município admite criar apoios complementares dirigidos à micro-actividade económica — pequeno comércio e serviços — que possam não estar abrangidos por programas nacionais. Está igualmente prevista a isenção de taxas municipais associadas a mercados, feiras, venda ambulante e ocupação de espaço público até Junho.
Cada freguesia receberá um apoio extraordinário de 15 mil euros para fazer face aos danos, e o associativismo verá reforçada a sua capacidade de intervenção urgente.
“Queremos que os nossos concidadãos saibam que não estão sozinhos. Vamos recuperar, mas também preparar o concelho para o futuro”, concluiu o autarca.