Livro sobre o Externato da Guia é apresentado por um dos seus fundadores
Escrito por 97fm Rádio Clube de Pombal em 2025-04-24
A Escola Básica e Secundária da Guia receber, este sábado pelas 11 horas, a apresentação do livro “O Externato da Guia”. A obra aborda o processo de criação do colégio que viria a dar origem à actual escola, e foi escrito por António Ramos de Almeida, um dos fundadores do Externato e que conta, actualmente, com 94 anos de idade.
O livro que é agora apresentado não se fixa apenas na história do Externato da Guia. António Ramos de Almeida revela que o quis dividir em três partes, para melhor se interpretar o que esteve na origem do estabelecimento de ensino e a sua importância. Numa primeira parte, disserta sobre a origem da povoação da Guia. Depois, escreve sobre a Ermida de Nossa Senhora da Guia, que no seu entender foi a grande causa da modificação total daquela zona. Foi a ermida que trouxe mais comércio e o aumento da população, com a Guia a crescer em seu redor. Foi esse aumento da demografia e também o crescimento sócio-económico, que acabaram por levar à abertura do Externato. O autor considera que o estabelecimento de ensino, que foi dos primeiras escolas particulares fora das cidades, foi uma revolução na zona oeste do concelho de Pombal, transformando completamente a Guia. “A evolução económica que o colégio veio trazer é extraordinária”, afirma, lembrando que quando chegou à localidade, esta estava decadente. “A transformação foi completa “, garante, recordando que a escola formou centenas de alunos.
Viajando no tempo, António Ramos de Almeida recorda a origem do Externato. Depois de ter frequentado o seminário, matriculou-se na Universidade Pontifícia de Salamanca, onde estudou Filosofia. Regressando a Portugal, no final da década de 50 do século passado, teve dificuldade em arranjar trabalho. Começou a leccionar em Ourém e foi lá que germinou a ideia de construir um externato de ensino particular. Mais tarde, mudou-se para Alcobaça mas deslocava-se a Coimbra para se encontrar com a então namorada. Foi lá que reencontrou um colega de Salamanca, Armindo Moreira, com o qual se propôs avançar com o externato. A primeira hipótese foi construir em Alenquer, depois Montemor-o-Velho, até que o seu amigo, que era natural da Ilha, lhe falou de o fazer na Guia. António Ramos de Almeida não conhecia a povoação e disse que necessitava de fazer um estudo para aferir a viabilidade. Constatou que a povoação era muito dispersa e que era uma zona rica, do ponto de vista industrial. No seu estudo, verificou que havia cerca de 700 alunos a frequentar o ensino primário na região, pese embora ser uma zona de pessoas que viviam com dificuldade. O facto de irem criar uma escola cuja frequência seria paga, poderia ser um entrave. O que é certo é que, apesar das dificuldades nos primeiros anos, o Externato conseguiu trilhar o seu caminho. As obras iniciaram-se em 1961 e, aos poucos, o externato foi crescendo. Depois do 25 de Abril, com a passagem para o ensino oficial, houve um grande aumento do número de alunos e o Externato acabou por ser adquirido pelo Ministério da Educação, depois de um período em que esteve alugado.