Kristin: Sem luz há oito dias, freguesia de São Simão de Litém ameaça boicotar eleições presidenciais
Escrito por 97fm Rádio Clube de Pombal em 2026-02-04
Oito dias depois da passagem da depressão Kristin, a freguesia de São Simão de Litém continua sem respostas consideradas mínimas. A presidente da Junta de Freguesia, Isabel Costa, admite mesmo o boicote às eleições presidenciais marcadas para o próximo dia 8 de Fevereiro, caso não sejam restabelecidas as condições básicas no território.
“Não há eleições nesta freguesia, nem que eu vá presa”, afirma, sublinhando que nem a Junta de Freguesia nem o centro escolar irão abrir “sem termos mínimas condições de sobrevivência”.
Isabel Costa faz um balanço “trágico” da situação vivida na freguesia, marcada por uma população maioritariamente idosa e exausta. “As pessoas estão desesperadas. Há oito dias sem luz. Não vemos luz ao fundo do túnel. As pessoas não aguentam mais”, relata.
A electricidade continua a ser o problema mais grave. Segundo a autarca, não existe ainda uma percentagem consolidada de habitações com fornecimento eléctrico regular, sendo certo que estruturas sensíveis continuam dependentes de geradores. “O Lar de São José tem um gerador a cair de podre, com falhas constantes”, denuncia. Um gerador foi entretanto colocado no PT do Carvalhal para alimentar a Junta e o centro escolar, mas, segundo Isabel Costa, “apesar de estar a funcionar, não há luz”.
Logo a seguir surge o problema da água. “Há pessoas que estão há oito dias sem água. Não temos abastecimento total na freguesia”, alerta, defendendo a instalação urgente de uma cisterna no centro da freguesia para permitir o abastecimento da população.
Outra das grandes preocupações prende-se com os telhados danificados. “Há pessoas com chuva dentro de casa”, afirma, explicando que, apesar da disponibilidade de voluntários, os trabalhos exigem meios técnicos especializados. “Não é qualquer voluntário que pode ir aos telhados. Precisamos de plataformas elevatórias, máquinas e pessoal especializado. Já houve uma queda no início desta tragédia. Felizmente a pessoa sobreviveu. Agora o nosso medo é que haja mais acidentes ou mortes.”
A freguesia regista ainda situações graves de instabilidade do solo. Segundo a presidente da Junta, existem pelo menos “uma a três habitações com deslizamentos activos”, onde vivem pessoas. “Os terrenos continuam a deslizar dia após dia. Há casas que estão quase a ser engolidas pela derrocada”, refere, acrescentando que uma conduta da rede de água já foi reparada, mas voltou a rebentar devido à instabilidade do terreno.
Quanto ao apoio institucional, Isabel Costa é peremptória: “do Governo Central, zero”. A autarca diz sentir que a freguesia está esquecida e critica a concentração da atenção mediática noutros territórios. “Sentimo-nos muito esquecidos, sem meios, impotentes. As pessoas aqui não têm televisão, não têm informação. É uma população envelhecida.”
Apesar do cenário difícil, a presidente da Junta destaca o papel do comércio local. “Temos um café e um supermercado abertos, com gerador, que têm sido fundamentais para apoiar as pessoas, evitando deslocações a Pombal”, sublinha.
No meio da crise, Isabel Costa resume o espírito de resistência da população: “Todos os dias digo às pessoas: estamos vivos hoje. Oitavo dia, estamos no combate. Vamos continuar”.