Empresa de Pombal teve que “desencantar” firma de Braga para reparar estragos

Escrito por em 2026-03-27

Uma empresa de distribuição de flores do concelho de Pombal encontra-se a operar a apenas 70% da sua capacidade, depois de ter sofrido danos na ordem de um milhão de euros (ME) com a passagem da tempestade Kristin. Teve que recorrer a uma empresa de Braga para reparar os estragos.

“Dois meses depois, estamos a operar a apenas 70% da nossa capacidade. Mas, para isso, tive de me chegar à frente e assumir os gastos para ter os serviços mínimos a funcionar”, destacou o gerente da Flormania, David Canaria.

Em declarações à agência Lusa, o responsável desta empresa de Meirinhas explicou que o mau tempo causou grandes danos no edifício, ao nível da cobertura e da estrutura lateral, para além de ter destruído os painéis fotovoltaicos.

“Entre o edifício, o recheio e o equipamento, estamos a falar de um prejuízo de cerca de um milhão de euros. É muita coisa”, lamentou.

À agência Lusa, contou que três dias depois da passagem da tempestade Kristin contactou uma empresa de Braga para, “ao menos, fechar o edifício, na cobertura e parte lateral”.

“Consegui desencantar essa empresa do Norte, porque as do Centro já tinham trabalho para dois ou três meses. E passados 15 dias já tinha o edifício fechado, tendo para isso suportado os custos, sem acertos de seguros”, referiu.

David Canaria esclareceu que decidiu avançar e colocar “pelo menos os serviços mínimos a funcionar” antes das peritagens da companhia de seguros, para evitar que os prejuízos fossem ainda maiores.

“Agora temos cobertura, eletricidade a funcionar, mas falta tudo o resto: pisos, escritório, casas de banho. Estamos a trabalhar como se fosse numa tenda improvisada e, em vez de cinco computadores, estamos a trabalhar num, praticamente à moda antiga, como se fazia há 20 anos”, descreveu.

Sem os painéis fotovoltaicos, a conta da luz subiu exponencialmente, passando de cerca de 300 euros para 2.000 a 2.500 euros por mês, sendo a situação agravada pela demora nos processos de seguro.

“Dois meses depois, ainda aguardamos a conclusão das peritagens e vai demorar, porque não é um processo que eles simplificam”, afirmou, acrescentando que os prejuízos decorrentes da quebra de atividade não deverão ser cobertos.

De acordo com o responsável da empresa, também o acesso aos apoios públicos disponibilizado tem levantado “muitas dificuldades”.

“Para avançar tem de haver um parecer técnico da parte da CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro] a comprovar que há realmente estragos e que remete para as seguradoras comprovarem que há estragos, mas as seguradoras enrolam. Só depois da peritagem terminada é que fazem o relatório dos estragos”, criticou.

David Canaria alertou que o que está a acontecer é que as empresas “estão a reconstruir tudo por sua conta e risco” e só depois é que podem recorrer às seguradoras, “o que não faz sentido”.

A Flormania, atualmente com 22 funcionários, é uma empresa que se dedica à comercialização de flor de corte e acessórios para floristas, tendo como principal mercado o retalhista.

Nasceu em 2004 em Vieira de Leiria, tendo em 2015 mudado as suas instalações para Meirinhas, no concelho de Pombal.


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