Cineclube de Pombal retoma actividade com dose dupla de cinema nesta semana
Escrito por 97fm Rádio Clube de Pombal em 2026-03-03
Com a retoma da actividade cultural nos espaços municipais, regressam também esta semana as sessões de cinema do Cineclube de Pombal, com o primeiro filme de um novo ciclo e com a exibição especial do file “Justa”.
Uma das novidades é que as exibições de cinema deixam de ser feitas no Mini-Auditório do Teatro-Cine, passando agora para o Auditório Municipal (no edifício da Biblioteca) cujas condições técnicas de projecção foram melhoradas. A interrupção das sessões no mês de janeiro fez com que o ciclo previsto para o mês seguinte fosse reprogramado para março. Assim, a retoma é feita com o ciclo “Love is in the Air”, apresentando filmes completamente diferentes mas que se focam no amor, trazido à tela nas mais variadas formas.
A abrir, já esta quarta-feira (dia 4), o Cineclube exibe um dos melhores filmes da história do Cinema. “Aurora” (1927), o primeiro filme americano do alemão F.W. Murnau, está prestes a completar cem anos mas continua a impressionar quem o vê pela primeira vez ou até aqueles que não se cansam de o rever. Um agricultor, seduzido por uma mulher da cidade, tenta afogar a esposa, desistindo no último momento. Uma história de amor e reconciliação com imagens inesquecíveis.
O ciclo prossegue no dia 11 com a exibição de “Felizes Juntos” (1997), de Wong Kar Wai. Um casal homessexual decide sair de Hong Kong e ir viver para a Argentina. Tudo parece correr bem até que uma discussão os separa e os faz seguir rumos diferentes. Mas um deles reaparece ferido e outro sente-se solidário mas incapaz de se voltar a envolver intimamente. Um retrato de um amor impossível com tudo o que o mesmo tem de viciante.
Para o final do ciclo chegam propostas num tom mais leve. Primeiro com “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” (2001), de Jean-Pierre Jeunet, no dia 18, e depois com “Folhas Caídas” (2023), de Aki Kaurismaki, no dia 25. No primeiro, temos uma jovem mulher que vai viver para Paris e que se dedica a melhorar a vida dos outros, até se apaixonar e ter que pensar também em si própria. O filme foi um grande sucesso de bilheteira por todo o mundo, talvez por levar o espectador a sair da sala com um sentimento de felicidade e com a consciência de que é possível acreditar num mundo melhor. No segundo, duas pessoas solitárias e tímidas conhecem-se e desenvolvem uma química forte. Mas uma série de equívocos vão acontecendo, fazendo com que percam o rasto um do outro.
Já esta quinta-feira, é exibido numa sessão especial o filme “Justa”, de Teresa Villaverde. Uma obra que aborda o tema do pós-incêndios de Pedrogão Grande, num contexto de devastação e dor em que acompanhamos várias personagens no seu esforço em recuperar algum sentido de normalidade. Esta sessão será seguida de uma conversa sobre o filme e não só, fazendo também a ponte para o espectáculo teatral “Terra de Fogo”, do Hotel Europa, que decorre no sábado, dia 7, no Teatro-Cine, e que procura analisar o estado da floresta portuguesa e documentar a situação vivida pelas pessoas e florestas consumidas pelos fogos dos últimos anos.