Alerta para presença de mosquito transmissor de dengue em Pombal
Escrito por 97fm Rádio Clube de Pombal em 2025-08-27
A Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria alertou para o aumento da presença em Pombal do mosquito que transmite o zika e o dengue e pediu à população que adopte medidas para evitar a propagação.
Numa nota de imprensa, a ULS referiu que, através do seu Departamento de Saúde Pública, identificou um aumento da presença do mosquito-tigre (Aedes albopictus) no concelho de Pombal, no âmbito das actividades regulares de vigilância. “Embora não tenham sido registados casos de doenças associadas a este vector em Portugal continental, importa destacar que o mosquito-tigre é potencial transmissor de vírus como dengue, zika e chikungunya, além de provocar picadas dolorosas e reacções alérgicas em pessoas sensíveis”, avisou a ULS.
À população, a ULS pediu para que colabore nas medidas de prevenção e controlo, que passam por eliminar águas paradas em pratos de vasos, pneus, garrafas, ralos ou outros recipientes, limpar e renovar frequentemente a água dos bebedouros de animais, manter calhas, algerozes e outros sistemas de escoamento desobstruídos, e guardar recipientes no exterior tapados ou virados para baixo. Como medidas de protecção individual, a ULS recomendou a utilização de repelente de insectos, uso de roupa larga que cubra braços e pernas, e colocação de redes mosquiteiras nas janelas. “Estas acções são essenciais para evitar a reprodução deste mosquito, cuja principal forma de combate é a eliminação dos locais de deposição de ovos”,os pequenos focos de água estagnada.
À agência Lusa, o coordenador do Departamento de Saúde Pública da ULS, Rui Passadouro, afirmou que o mosquito já tinha sido detectado, mas “com pouca frequência”, tendo sido recentemente detectado “já com ovos e um número bastante superior na região de Pombal”. O médico explicou que este mosquito “tem a capacidade de ser o vector de algumas doenças, como o zika, o dengue, e, portanto, havendo este vector, a possibilidade de haver transmissão da doença é mais provável”, frisando, contudo, não haver ainda casos destas doenças em Portugal continental. Segundo Rui Passadouro, “do ano passado para este ano, aumentou cerca de 10 vezes o número de capturas” do mosquito em Pombal. “Isto não é um alerta de pânico, é um alerta constructivo, porque o que queremos que as pessoas façam é verificar os sítios onde estes mosquitos depositam os ovos e depois crescem os mosquitos. Portanto, onde houver águas paradas, isto pode acontecer”, adiantou.
Em julho de 2024, a Direção-Geral da Saúde (DGS) recomendou a autarquias, empreendimentos turísticos e entidades do sector agrícola, industrial, entre outras, a adopção de medidas de prevenção e controlo do mosquito que transmite o zika e o dengue. Numa orientação publicada na sua página, a DGS sustentou que, perante a detecção da espécie invasora Aedes albopictus em diferentes freguesias e concelhos de Portugal continental, importa reforçar os mecanismos de prevenção e controlo visando a redução da abundância ou eliminação desta espécie de mosquito. Segundo a DGS, as detecções mais recentes do mosquito invasor em Portugal tinham sido registadas nos municípios de Cascais e Pombal e têm correspondência ao nível de risco 1 (amarelo), numa escala de 0 a 3, definida segundo os diferentes cenários relativamente à presença de mosquitos Aedes e detecção de casos de doença, conforme definido no Plano Nacional de Prevenção e Controlo de Doenças Transmitidas por Vectores.
A presença de mosquitos invasores Aedes em Portugal iniciou-se com a detecção de Aedes aegypti na Madeira em 2005. A espécie Aedes albopictus foi introduzida no continente em 2017 no Norte (Penafiel), em 2018 no Algarve (Loulé) e em 2022 no Alentejo (Mértola).