Leiria - Sobre a concretização das medidas de emergência

Bloco de Esquerda colocou algumas questões ao Governo acerca dos incêndios


Pombal 97 fm / Sociedade – O Bloco de Esquerda (BE), através dos seus deputados eleitos por Leiria, acaba de colocar algumas questões ao Governo, visando a obtenção de explicações após os incêndios que deflagraram na região Centro do País.
“À entrada do inverno, momento em que as chuvas assumem maiores intensidades, aumentando significativamente a escorrência superficial e, consequentemente, o risco de erosão por arrastamento, é muito importante que as medidas de estabilização de solos, fixação de cinzas, desobstrução de linhas de água e protecção de recursos hídricos já tenham sido concretizadas”, começam por afirmar os bloquistas.
Depois e antes ainda das interrogações destinadas ao Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, enviadas ontem [n.d.r.: primeiro dia de inverno], o BE escreve que, durante o corrente ano, o País experienciou os maiores incêndios de que há memória, “uma verdadeira calamidade que, além da destruição de património ecológico, paisagístico, histórico e científico, levou à perda de muitas habitações e vidas humanas”.
Salientam, entretanto, que, passado o “efeito imediato de destruição pelo avançar das chamas, que em si representa uma enorme tragédia ambiental, é importante que se dê cumprimento a todas as medidas pós-fogo, necessárias para proteger os recursos naturais locais e nacionais, assim como a saúde pública”.
Esclarecendo que as áreas ardidas distribuem-se entre o sector público e privado e que várias matas nacionais foram fortemente afectadas, “algumas destruídas quase na sua totalidade, como é o caso da histórica Mata Nacional de Leiria, a maior e mais prestigiada mata do País, que foi consumida pelas chamas em quase 90% da sua área”, o Bloco cita o Despacho nº 9224-A/2017, emitido por aquele Ministério, na sequência dos fogos em causa, lembrando que, entre outras insertas no documento, constam “medidas de estabilização de emergência” que visam a “prevenção de erosão e protecção dos recursos hídricos”.
“Estas medidas assumem especial importância nas áreas ardidas onde os declives são mais acentuados e/ou existam linhas de água mais expostas à contaminação com cinzas ou obstruídas por materiais ardidos, assim como em áreas de maior exposição à erosão eólica” pelo que a ausência ou insuficiência destas medidas de estabilização têm, como consequência, “a contaminação de linhas e reservatórios de água que são essenciais às populações locais e ao País”.
O BE sublinha que “também a fertilidade dos solos e a sua estrutura serão afectados pela erosão hídrica e eólica, dificultando o processo de reflorestação que se pretende” e quer saber qual a área de floresta pública ardida este ano e “qual a área de floresta pública ardida onde já se concretizaram medidas de estabilização de emergência, de forma a prevenir a erosão e a proteger os recursos hídricos”.
O Bloco pergunta, ainda, que medidas “implementou o Governo, junto dos proprietários florestais, para que também a floresta privada fosse alvo de medidas concretas de retenção de cinzas evitando a contaminação dos recursos hídricos do País”.


(Texto escrito com a antiga grafia)

 

97FM - Pombal Vértice Luminoso