Pombal – Em causa as cerimónias do 25 de Novembro

Sessão realizada no último sábado repudiada pelo Bloco de Esquerda


Pombal 97 fm / Politica – Através de comunicado, o Bloco de Esquerda de Pombal repudia “as cerimónias do 25 de Novembro” que decorreram na cidade.
Em causa está “uma cerimónia organizada pela Delegação de Pombal da Associação de Comandos e pelo Núcleo de Abiúl da Liga dos Combatentes, no passado sábado, dia 25 de Novembro, e que contou com a presença de crianças da Escola Básica nº 1 de Vila Cã”.
O BE recorda que “todos os anos, vários membros da direita portuguesa fazem questão de assinalar o 25 de Novembro de 1975, dia em que o General Ramalho Eanes, comandando o designado ‘Grupo dos Nove’, e as forças de centro e de direita portuguesa findaram o então Processo Revolucionário em Curso. Aliás, tal efeméride é aproveitada para uma certa compensação ideológica da vergonha que sentem do 25 de Abril e do já referido período do PREC” e adianta que “lembrar o 25 de Novembro, é lembrar a exaltação de algumas das figuras mais controversas que a história democrática portuguesa tem, mas que a direita teima em camuflar”.
Mais adiante, o documento dos bloquistas pombalenses refere que “personalidades como Jaime Neves, que admitiu a participação activa em crimes de guerra, como o massacre de Wyriamu, em Moçambique... é lembrar de patriotas, agora glorificados, como Alpoim Calvão, que fundou o MDLP, ou de Barbieri Cardoso, do ELP e alto dirigente da PIDE-DGS (além de participante na morte do General Humberto Delgado) e é, também, mascarar um passado terrorista destas duas últimas organizações que foram responsáveis por vários atentados à bomba e pelo incêndio a várias sedes de partidos políticos”.
Por isso, prossegue o BE, “tomar este legado como base da nossa democracia, ou como factor primordial da consolidação da democracia, é um revisionismo histórico condenável. Mais, quando se convida crianças para este evento, e utiliza-se o Monumento dos Heróis do Ultramar como sede destas comemorações”. Entende o BE de Pombal que “mais do que claro, é o abranger deste revisionismo histórico para o nosso passado colonialista, retirando todos os erros históricos, massacres e atropelos à soberania e auto-determinação dos povos africanos que Portugal perpetuou no século XX”.
Por este motivo, lê-se no comunicado, “condenamos publicamente o Senhor Presidente da Câmara Municipal, bem como as associações organizadoras das comemorações, por terem levado crianças a um acto que, mais do que simbólico, é claramente ideológico e político”.
“Quando rejeitamos este revisionismo histórico e este clareamento estamos, também, a assumir e a dignificar o património do 25 de Abril e do PREC. Quando a direita cataloga de abusos as conquistas do PREC, sabemos o avanço que significaram”, explicam os bloquistas que recordam ainda “as ocupações de fábricas, a reforma agrária, as cooperativas de habitação, a nacionalização da banca e dos monopólios rentistas, as organizações de base de marinheiros e soldados”.
“Temos a noção de que foi nesse período, no PREC, que se forjou a verdadeira Democracia. Foram essas experiências que acompanharam a eleição da Assembleia Constituinte que aprovou a Constituição. Aliás, Constituição essa que gera tanta raiva à ala política a que o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Pombal pertence e que, há muito tempo, pretende a sua revisão”, conclui o BE.


(Texto escrito com a antiga grafia)

 

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